segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

PARIS, TORRE EIFFEL E CASA NOVA

Como muitos de vocês já devem ter ficado sabendo pelo meu Facebook, minha chegada na França não foi lá grandes coisas, mas aqui vamos nós com mais detalhes.
Bom, a viagem de trem foi muito legal, em vez de dormir acabou que fui para o vagão restaurante, bem legal e arrumado, não tinha cadeiras mas tinham umas mesinhas pra gente ficar encostado em pé, o que foi muito útil uma vez que eu não conseguia andar numa linha reta.
Saindo do trem eu me aventurei no meu primeiro diálogo em francês, não necessito dizer que acabei apelando pro inglês, mas pelo menos conseguimos a informação que precisávamos, a estação de metro que era pra saltar. Fomos comprar bilhetes de metrô para dois dias, 15 euros cada, um ABSURDO. Dentro do metrô o cheiro de maconha reinava. Muito tensa a viagem de metrô até a suposta estação do hotel, mas superamos também esse obstáculo.
Ao sair do metrô nos encontrava-mos numa praça com uma feirinha com várias coisas sobre turismo em Paris, eu supus que alguém ali deveria falar inglês, engano meu, então apelamos para o mapa do meu iPod, que até foi útil, apesar do aplicativo sair sozinho a cada 5 segundos. Seguimos para onde a intuição nos mandava seguir, e chegamos em uma outra enorme praça, com uma escadaria INSANAMENTE ALTA, e a gente sabia que o hotel ficava do outro lado disso, mas a gente não sabia que "isso" não era plano. Eu olhei para escada e ri, eu passaria a noite na rua pra não ter que subir aquilo tudo com a minha mala não tão leve assim. Chegamos a ver que tinha um bondinho, mas a gente supôs que custasse os 3 olhos do corpo, fomos andando procurando um forma de contornar a praça, mas NINGUÉM tinha ouvido falar daquela maldita rua. Por fim, nos demos por vencidos e fomos ver quanto custava o bondinho, subimos a rua de novo, e foi nesse momento que tentaram nos abordar para o que julgamos que teria sido um assalto, conseguimos nos esquivar, eu andando na frente e o Raphael fingindo que falava mandarim. O cheiro de maconha reinava novamente. Fomos até o bondinho e depois de algumas tentativas entendemos que o bondinho era "de graça" porque a gente tinha o bilhete do metrô, houve uma pausa em que os hinos de aleluia soaram em coro em nossas cabeças e então subimos no bondinho. Lá paramos um taxista para perguntar da rua e, como o cara que abordamos na rua, ele começou a tirar mapas e mais mapas de vários lugares pra ver do que estávamos falando, também não conhecia a droga da rua. Andamos um pouco e encontramos a rua, começamos a desce-la passamos por alguns restaurantes e lojas de presentes, descemos uma ladeirinha e NADA de hotel, a rua acabou e tinha uma escadaria que era bem grande, 1/3 do tamanho da primeira ladeira, e tinha mais rua na frente dela, mas não achamos que fosse a mesma porque era em outro nível, então retornamos o caminho e encontramos um restaurante para pedir informação. O cara disse que era para descermos a escada porque a rua embaixo também era continuação da rua do hotel. Muito LOUCO, a rua era divida em 3 pedaços. Mas fomos nós, descemos a escada e começamos a nossa busca pelo hotel novamente, o Raphael quis ir no meio da rua e deu mó escorregão, quase caiu.



Alguns minutos depois achamos a droga do hotel, uma coisa com quase sinalização nenhuma, num beco escuro. Entramos e era uma espelunca, tão feio por dentro quanto era por fora, mas felizmente o recepcionista, sujeitinho rabugento, falava inglês e nos atendeu, e nos deu a senha da internet (2 euros para 24h de internet, de cada um). Queríamos um quarto com duas camas de solteiro, mas o cara disse que não tinha e teríamos que nos virar com a cama de casal mesmo, eu não estava empolgada com isso, mas não tinha muito que eu pudesse fazer aquela altura.
Chegamos no quarto (de número 68, que ficava no 4o andar) e era uma toda atrofiada num tom de rosa, mais parecia um motel. Mas de uma coisa eu não podia recl coisinha amar, o aquecedor funcionava tão bem que eu estava com calor, dormi de roupa intima lá de tão quente que estava. Fomos olhar o quarto, tínhamos um banheiro (o que, pelo que disseram, era sorte naquele hotel), tinha uma banheira, mas não tinha o chuveiro, e fora do banheiro, dois armários, resolvi abrir pra ver se tinha algo útil dentro dos armários, quando me deparei com DUAS camas de solteiro portáteis, peguei uma (a que me pareceu mais leve) e montei, coloquei o colchão, achei uns lençois e fronhas e arrumei minha cama. Até que era bem confortável, ficou toda atravessada no quarto, mas serviu ao seu propósito.
Ligamos a internet e fomos tentar usar, e ai começou o segundo round de estresse, a internet não ficava conectada por mais de 5 minutos por vez, até que teve uma hora que simplesmente caiu e eu me irritei e sai pra dormir.
O segundo dia, estando claro e descansados foi um pouco melhor. Saímos com a amiga do Raphael (motivo pelo qual fomos para aquele hotel), ela queria ir numa catedral, fez a gente pegar dois metros e no final das contas era a catedral que fica a 5 minutos do hotel, a catedral não foi nada demais, mas depois compramos lembrancinhas (bem inhas mesmo), e passamos por um lugar de crepe que tinha um pote de 5kg de Nutella (sim, tiramos foto com o pote) e depois fomos comer. É realmente impressionante como na Europa eles gostam de se alimentar de pão e massa, realmente incrível, eu não agüento mais comer sanduíche, não vejo a hora de chegar em casa e comer um puta prato (de acordo com o que o meu estômago vai permitir) de arroz, feijão, a batata-soutê (escreve assim?) da Lili e bife, depois quero fricassê..
Enfim, na parte da tarde fomos para a Torre Eiffel, no caminho para lá tivemos que passar por algumas linhas de metrô e em uma delas o metrô era de dois andares, eu já tinha ouvido falar dos ônibus de dois andares de Londres, mas nunca tinha sequer ouvido falar do metrô de dois andares de Paris (nem do ônibus minhocão, que consiste em dois ônibus ligados na metade, eu só tinha visto algo assim em São Paulo), chegamos lá e comemos, ótimas batatas fritas. Eu comprei um cachorro quente também mas era impossível comer aquele bagulho inteiro então, quando eu desisti, o Raphael se apossou do pão para dar para os pombos e ele estava extremamente empolgado porque os pássaros vinham pegar os pedaços de pão na mão dele, fizemos alguns vídeos com isso, e depois decidimos subir na Torre Eiffel, a fila do elevador estava grande, então o Raphael sugeriu que a gente subisse de escadas, chegamos a entrar na fila, mas eu argumentei que eu não ia conseguir chegar lá em cima a tempo, eu passo mal muito fácil por causa da falta de ar e tal, então mudamos para a fila do elevador, que até que andou bem rápido, e conhecemos um casal brasileiro na fila, ficamos meio que amigos.
Na hora de comprar os ingressos decidimos comprar com todos os leveis da torre inclusos, os dois primeiros e o topo dela, e tem desconto para menores de 24 anos. Fomos direto para o topo, tiramos algumas fotos, consegui até tirar algumas panorâmicas, a vista é realmente muito linda, eu só não aproveitei muito a vista porque ir para a beirada me dava nervoso e tinha um vento muito forte lá em cima, não só estava frio como ele conseguia empurrar a gente.
Depois seguimos para o segundo nível, ainda bem frio, mas bem menos, ainda estávamos acompanhando o casal, tiramos uns fotos dos outros, foi bom ter uma companhia a mais, já tem 2 semanas e a convivência começa a dificultar a vida em harmonia, mas pelo menos ainda não nos matamos, apesar de algumas vezes eu ter vontade. Do segundo nível para o primeiro o Raphael resolveu descer de escada junto com o cara e eu fiquei com a mulher esperando o elevador (aproveitei pra ir comprar um Crepe de Nutella (eu comi um Crepe de Nutella na Torre Eiffel) e depois descemos para encontrar com os meninos.
No primeiro nível da Torre Eiffel tem um RINQUE DE PATINAÇÃO NO GELO, não estou inventando, não estava tendo devaneios, não estava mais sobre efeito da maconha do nosso bairro, realmente tinha um rinque lá. Também tinha algumas atrações relativamente interessantes e, de acordo com o Raphael já que eu não vi isso, um restaurante fino também. Cansamos de ficar na torre sem ter mais o que ver ou fazer uma vez que todas as fotos e ângulos possíveis já haviam sido tirados, nós descemos e começamos a nos distanciar da torre para poder tirar uma foto com a torre no fundo. Conseguimos várias, umas saíram boas, outras nem tanto, mas temos um leque de fotos para escolher.
Esperamos a torre acender e tiramos mais fotos dela de diversos ângulos.
Nos demos por vencidos e fomos procurar algum lugar aquecido e com comida, fomos num Subway, eu me recusei a comer lá porque, como já disse, não agüento mais sanduíche todos os dias. Depois eu fui no restaurante do lado e pedi um prato de bife, arroz e batatas fritas (não foi tão bom quanto o que encontramos aqui em Londres, mas definitivamente foi mais caro). Enquanto comiamos, não sei porque diabos, mas começamos a conversar sobre temperatura, ai o Raphael veio dizer que o espaço não tinha temperatura e eu disse que isso era impossível, que não existe uma não temperatura e ficamos discutindo isso por um tempo.
Fomos embora do restaurante e nos encaminhamos para o metro, sentamos nas cadeirinhas e, novamente, sem nenhum motivo, simplesmente começamos a assobiar uma canção de ninar, quase em sincronia, quando o metrô apareceu, ficamos sentados esperando que a porta se abrisse na nossa frente, mas o metrô passou direto por nós, o Raphael deu um puta pulo da cadeira e saiu correndo no estilo Phoebe Buffay de ser atrás do metrô. Eu já tinha visto gente correndo atrás de ônibus, mas correr atrás de metrô foi MUITA novidade (e por acaso era o metrô de dois andares), eu fui andando porque achava que ele nem ia parar ou então que ia parar perto, mas o metrô não parou de ir em frente, e eu comecei a ouvir passos correndo atrás de mim, então eu sai correndo em disparada, cheguei na porta do metrô e pulei pra dentro, aterrizando bem nas escadas pro segundo andar, bem na hora que as portas se fecharam. Na estação seguinte, onde tínhamos que fazer a transferencia de linhas, as roletas não queriam aceitar nossos tickets, e os caras que estavam atrás da gente disse para simplesmente pularmos, o que ele fez logo em seguida, eu queria ter pulado bem estilo Missão Impossível, mas aquele bando de roupa e casaco impedia meus movimentos.
Chegamos no hotel e preparamos as nossas coisas para sair bem cedo, tínhamos que acordar as 3h da manhã para pegar o trem as 5:15, ou isso é o que achávamos, mais tarde eu percebi que o trem era, na verdade as 7:15, mas nenhum dos dois quis botar a roupa de novo para ajeitar o horário da reserva do taxi, então simplesmente acordamos as 3h da manhã, chegamos lá e a estação ainda estava fechada, fomos para um bar e comemos e bebemos um pouco, mas gastamos MUITO.
Finalmente, umas 5:30 a gente resolveu ir pra dentro da estação, estava um frio desgraçado lá dentro, eu tremia muito, então encontramos um cantinho que não batia tanto vento e adormecemos, de alguma forma eu acordei meio de cabeça pra baixo e minha cabeça latejava, a francesa dona do estabelecimento onde tinhamos nos sentado apareceu e não falava uma virgula de inglês, mas com meu francês enferrujado dava pra entender que ela tava perguntando se eu tava bem, depois ela falou SOS algumas vezes e entrou no estabelecimento fazendo sinais de telefone com a mão. Sem ter certeza do que aquilo queria dizer, nos levantamos e prontamente desaparecemos para procurar o lugar do nosso embarque. Depois de MUITO tempo entendemos que deveríamos subir uma escada e assim o fizemos, ai teve toda aquela palhaçada de imigração de novo, e eu cheia de sono entreguei os documentos errados, mas depois percebi e consertei o erro.
Novamente em Londres fomos direto para o curso, depois fomos ver uma casa, a minha possível nova acomodação, não é um lugar bonito, mas pelo menos não é longe, é perto da área central de Londres, tem aquecimento, fogão e uma TESCO gigante perto. É uma casa pequena, e humilde, mas pelo menos não é apertada, serve como moradia e é o melhor negócio se pensar na localização e preço, até porque (de acordo com o Raphael) a conexão de internet de lá é de fuder. Então, hoje mesmo quando visitei a acomodação já fechei o negócio e agora não preciso mais me preocupar com isso, a partir de semana que vem o quarto já é meu e aos poucos vou começar a mudar minhas coisas para lá.

P.S: Enquanto estava indo ver a acomodação meu iPod caiu no chão e a tela se espatifou toda, penso seriamente em chorar, quero meu iPod de volta T_T

5 comentários:

  1. Minha querida, lendo seus posts é como se estivesse presente em cada momento. Adoro a riqueza de detalhes que vc da.
    Nossa! que aventura! Mas acho que você não viu Paris direito. Dizem que é lindo e tem muitos lugares para visitar.
    Lamento muito o que aconteceu com seu Ipod. Mas, acontece.
    beijos, Mamãe.

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  2. Querida, leva ele na loja da Apple, quem sabe não consertam?
    Fora isso, sua experiencia está sendo incrível, pois está superando todas as dificuldades que aparecem.
    Vovó ficou muito contente de falar com você.

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  3. Estou adorando tudo! Morro de dar risada do jeito irreverente que vc tem para descrever as situações. E assim tb fico sabendo dos detalhes que o Rapha - homem! - não conta.
    Não tem $$ no mundo que pague o que vcs estão aprendendo aí.
    Queria ver o Rapha correndo atrás do metro e a cara da mulher querendo chamar a policia. hahaha hilário!
    Uma perguntinha... vc vai morar na tal casa e o Rapha vai ficar na república? bjs tia Cris

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  4. Oi Carol, sou amiga da sua tia Cristina. Estou adorando ler as aventuras de vocês!! Grande beijo.

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