Acho que finalmente consegui ficar a par do meu sono. Nesta
quinta feira, 19 de Janeiro, eu cheguei em casa cedo e fiquei me atualizando
com meus deveres de casa atrasados (preguiça e desorganização são duas coisas
que não possuem nacionalidade ou endereço) e, enquanto fazia isso, comi chocolate
em diversas formas, nutella, twix e cookies, por isso, mais tarde nesse dia,
enquanto assistia minhas séries (estou muito atrasada com elas, ainda estou
tentando me atualizar), comecei a passar mal. Dumping (nem sei se isso se
escreve assim). Minha reação lógica foi ir pra cozinha e comer tudo que fosse
salgado que eu visse pela frente, sendo que o Raphael já tinha colocado o treco
que a gente comprou pro jantar no forno, mas não me importei, disse que comeria
depois. Foi só quando minha barriga reclamou, cerca de 3 segundos depois, que
parei de ingerir Cream Crackers com Philadelfia. Ainda me sentindo mal, resolvi
encostar um pouco no sofá pra relaxar e ver se melhorava, a próxima coisa que
eu sei é que eu queria a minha cama, acordei, juntei minhas coisas e desci de
volta ao quarto.
Mais tarde o Raphael apareceu no quarto me chamando pra
comer porque o jantar havia ficado pronto, eu acredito que tenha dito algumas
palavras que não ouso escrever aqui e disse que estava dormindo, que comeria no
dia seguinte. Isso tudo aconteceu antes de 20:30, eu devo ter começado a dormir
umas 19h, e eu só fui acordar na hora de ir pro curso, às 7h da manhã do dia
seguinte. Me sentindo extremamente relaxada e feliz.
Esqueci de comentar que, eu não teria dormido se alguns minutos
antes o meu computador não tivesse congelado, eu tentei reiniciá-lo para poder
voltar a usar, mas ele não queria desligar para eu poder liga-lo de volta. E
quando eu acordei no dia seguinte, ele ainda estava temperamental dessa forma.
Coloquei na bolsa decidida a ir na Apple para ver o que eles poderiam fazer,
afinal tinha minha viagem para Paris.
Sexta-feira, após o curso, eu e Raphel fomos para a Apple
para tentar solucionar o meu problema. Eis que chegamos à loja e quando eu
tirei o notebook para ver uma última vez se o problema ainda estava lá e não
fazer papel de idiota na frente dos atendentes da loja, o computador tinha
desligado e foi só encostar num carregador para ligar normalmente. Carreguei
esse trambolho pesado o dia todo a toa.
Na sexta-feira, nossa próxima parada foi um restaurante. Na
verdade, passamos por vários, procurando alguma coisa que não fosse MASSA ou
SANDUÍCHE, o que é aparentemente uma coisa MUITO difícil de se conseguir por
aqui, quando eu ia desistir e comer QUALQUER COISA que aparecesse, resolvemos
olhar esse último restaurante, minhas esperanças já estavam muito baixas, mas
quando olhamos o menu do restaurante estava escrito lá “steak, rice and chips”,
o Big Ben soou ao longe (não, não soou, mas deveria ter soado, seria bem
conveniente, mas eu ainda preferiria que fossem sinos, anyways...). Entramos e
sentamos pensando em como fazer o pedido, porque queríamos meio que uma mistura
de dois pratos, então falamos com a garçonete e ela disse que podia ser feito
sem problemas, nesse dia, almoçamos como reis.
Quando a moça colocou nossos pratos na nossa frente, ela
falou português com a gente, estamos tendo uma sorte de ser atendidos por gente
que fala nossa língua (ainda que ela fosse de Portugal), mas enfim. Eu descobri
também que eu posso pedir um copo de água e é inteiramente grátis,
provavelmente porque é água da bica, a aguá da bica é potável em Londres e eu
só tenho bebido dela desde que cheguei, compro garrafinhas de água na rua, e
encho elas em casa (exatamente como eu fazia no Brasil e espero DE VERDADE que
minha mãe não tenha se livrado de todas as minhas garrafinhas, porque umas são
bem diferentes e eu gosto da minha coleção de garrafas de água).
Depois do almoço, nos sentindo mais gordos (ele porque comeu
dois pratos, e os pratos eram enormes, eu porque consegui terminar um prato...
cada um com sua vitória), fomos procurar um casaco para o Raphael, o zíper do
que ele estava usando arrebentou, na Apple acessamos a internet e vimos onde
ficava a loja que a Tia Cristina indicou para a gente. Vamos dizer que
estávamos na estação A e tivemos que nos deslocar até a estação B, mas no
caminho até a estação um passáro negro mergulhou do céu na direção da cara do
Raphael, eu ri tanto, e estou quase chegando a uma conclusão para a minha
hipótese de que minha bexiga é MUITO MENOR em Londres, eu já quase passei por
situações muito constrangedoras envolvendo risos e minha bexiga. Enfim,
chegamos na loja e percebemos que naquela loja não havia UM artefato que
custasse menos de três dígitos, um cachecol fininho, que provavelmente não
esquentava nada, custava £105, um ABSURDO. Aí resolvemos falar com o moço que
estava nos atendendo e ele disse para o Raphael que ele não era tão gordo a
ponto de precisar comprar naquela loja, PRA QUE, né? Agora o Raphael tá com
mania de dizer que é magro. Enfim, pegamos o metro de volta para a droga da
estação A, eu cheia de dor nas costas por estar carregando o notebook pesado,
meu ombro querendo dar uma de kamikaze, mas fomos para lá. Entramos na primeira
loja e não vimos nada de interessante, então fomos procurar uma segunda loja e
lá encontramos exatamente o que estávamos procurando, um casaco grande, quente,
com proteção contra chuva e vento, tipo um Anorak, muito eficiente. Eu comprei
luvas porque as minhas não dão conta do frio que eu sinto nas mãos e então
voltamos para casa, onde eu fiquei perturbando o Raphael até ele fazer o
“jantar” (hamburgers). Fiquei acordada até tarde mandando e-mails para a
acomodação, passando a limpo minha história para a aula de sábado e depois
arrumando minha mala para Paris.
Cuidado com a alimentação, bota o Raphael para carregar seus pesos, fala para ele que isso vai ajudar ele a emagrecer(já que ele se acha magro).
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